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Periodontia: Entrevista com Dr. José Vicente Contatore

Periodontia

P. Quais as doenças que acometem o dente em redor da área chamada de partes moles, parte dura, osso e gengiva?
R. Ao redor dos dentes nós temos osso que contorna o dente, o tecido duro, gengiva e tecido mole. O problema é que muitas vezes uma alteração biológica acontece na gengiva que é uma inflamação gengival. Uma inflamação gengival se caracteriza por uma vaso-dilatação capilar sem presença de bactérias; a gengiva fica mais inchada, ‘gordinha’, você toca nela e ela sangra, isto é uma gengivite, uma inflamação periodontal.
Se a pessoa não trata esta gengivite, que é de fácil solução, ela sai do epitélio externo da gengiva entra no conjuntivo, chegando à parte mais íntima da gengiva. Atingindo o conjuntivo, ela começa atingir também o suporte ósseo e começa gerar a perda óssea, que é consequência da periodontite.
A periodontite é causa de uma gengivite não tratada. A prevenção é a melhor defesa. Assim, se você tem uma gengiva gordinha, sangrando, vai ao dentista. O tratamento é simples. O problema para ali, porque se continuar a adiar, ela vai chegar pega o conjuntivo e o suporte ósseo. Se virar uma periodontite, então aí sim você tem presença de bactérias aeróbias, anaeróbicas e estas bactérias promovem uma acidez no PH salivar.
Uma bactéria anaeróbica se multiplica a mais ou menos a cada uma hora. Num PH ácido dentro do quadro da periodontite, essa bactéria se multiplica a cada dez minutos. Se uma pessoa dorme 8 horas e, dividindo 10 minutos, multiplicando por 8, pode-se constatar a quantidade de geração de bactérias que essa pessoa produz na boca. Nesta situação, você tem um sitio bucal infectado. Cirurgia neste caso nada adianta. Portanto, procure um dentista, faça a descontaminação e a limpeza disso tudo, faça a reconstituição e a regeneração óssea porque esta é a única solução para que você não tenha problemas maiores.

P. Quais são os fatores de risco que uma pessoa que tem periodontia pode ter? Quais os fatores diretos?
R. São múltiplos os fatores de risco. Um fator de risco maior é que quando a gengiva descolou por falta de suporte ósseo , formando bolsa periodontal, ali na bolsa encontram-se resíduos e bactérias. Organismo sabe que ali há bactérias que fagocitavam a bactéria, fazendo com que aumente o volume de sangue nessa gengiva para que maior quantidade de anticorpos e glóbulos brancos venha fagocitar (ingerir ou englobar partículas e células). A reação imune é em cascata ou efeito dominó. Portanto, existindo uma vaso dilatação capilar na gengiva, as bactérias acidogênica que estarão dentro da bolsa ultrapassam a parede do vaso do capilar e lá dentro do sangue começam eliminar uma enzima. Esta enzima é um poderoso coagulante, que deixa o sangue do paciente mais denso. essa pessoa passa a ser então uma pessoa de risco para ter um acidente vascular porque a enzima desta bactéria, sendo coagulante, vai fazer com que a pessoa comece a formar placas de ateroma dentro da artéria, gerando um acidente vascular que pode ser transitório, ou pode ser definitivo, do tipo hemorrágico.

P. Como uma pessoa sabe que ela tem periodontite? O dente começa ficar mole, a gengiva sangra?
R. Muitas vezes na primeira fase da periodontite o dente nem fica mole, não é um fator assim importante. Uma periodontite severa tem o que chamamos de mobilidade de grau 3, mas o início da periodontite não fica. Como a bactéria produz muita enzima à noite, a pessoa começa ter uma hálito muito forte, mesmo com muita escovação, vai ter sempre aquele hálito ruim; caso a pessoa se durma de lado, ela vai perceber que de manhã ao acordar, ela vai verificar que babou sangue no travesseiro. Ela começa manchar o travesseiro de uma cor avermelhada, ou amarronzada porque a saliva com PH ácido gera esta cor escura.
Na realidade ela pode diminuir essa situação usando um enxaguante bucal, que, sem favor ou propaganda, achamos que o ideal é o plax da Colgate sem álcool. Bochecha-se pelo menos duas ou três minutos à noite antes de se deitar. Como ele tem antibiótico ele vai diminuir a virulência da bactéria e esta bactéria, que estava se reproduzindo a cada dez minutos, ela vai ficar um pouco mais lenta. uma maneira correta. Agora, quanto ao uso de antibiótico ou enxaguatório, primeiro é absorvido via sistema e demora muito; o enxaguatório atua no local, é um tratamento direto na boca.

P. Quais os tratamentos disponíveis? Existe uma limpeza simples, o laser? Quando a pessoa perde o dente já se recomenda imediatamente para o tratamento?
R. Este tema é muito interessante. No antigo tratamento, usando o antigo paradigma, se fazia a limpeza tradicional. Fazia-se esta limpeza tradicional, que curetagem, raspagem e alisamento de superfície. Os preços eram absurdos so para fazer isto. Eu de certa forma desmitifiquei este mito porque quando uma pessoa chega ao Instituto querendo uma limpeza global, curetagem e descontaminação, dá para se fazer tudo isso numa consulta. Faço tudo isso numa consulta de 400. Às vezes brinco com meus colegas digo “o que você cobra 15 mil reais para você fazer, e eu cobro 400 para limpar”. Para uma limpeza, não se deve cobrar mais do que isto; limpar é limpar, você simplesmente é um faxineiro da boca.Mas aí é que entra a regeneração óssea, trazendo os avanços em citogenética para a odontologia.Muitos ‘doutores’ por aí dizem que isto não existe. Se o paciente estava com perda óssea, eles faze o seguinte: limpavam a bolsa, ela sangrava e formava um coágulo, formava um tecido de reparação, recolava-se a gengiva e rezava para a gengiva não descolar no dia seguinte; infelizmente a gengiva descolava no dia seguinte. Então o tratamento do antigo paradigma funcionava assim: cola hoje, descola amanhã. Era um tratamento infinito. Tratamento infinito é bom para o dentista que quer receber infinitamente, mas é péssimo para o paciente, que paga infinitamente e nunca resolve o problema.

P. Em se falando de técnica e dentro deste novo paradigma, qual a técnica mais utilizada hoje em dia, e que vocês utilizam?
R. Dentro do novo paradigma nós limpamos a bolsa, como o antigo paradigma limpava, mas só que nós ativamos as células inertes da medula óssea com aplicação de laser de 1800 miliwatts, sob a qual estas células sob ação do laser voltam a ter um metabolismo de 100%, começam a reproduzir, e a repor novas células; consequentemente fazem o que eu chamo de regeneração óssea guiada. Dentista do antigo paradigma insistem em dizer que isto não existe. Fica meio obvio aqui que aqueles que tentavam resolver tais problemas só limpando a bolsa e não resolviam, acham suspeito quando verificam que ha coisa novas no mercado. Pior para eles, pois vão envelhecer junto ao velho paradigma.

P. Em termos de epidemiologia, no Brasil ainda há muitos casos, ou o problema se estabilizou, segundo as informações de que o Sr. como profissional dispõe?
R. No Brasil a epidemiologia da doença periodontal é um desastre sobre o ponto de vista odontológico. A OMS Organização Mundial da Saúde fez um relatório que diz que no Brasil o tratamento odontológico está em 10 lugar em termos de prioridade do brasileiro. Isto quer dizer o seguinte: muitos brasileiros não têm condições financeiras de entrar num consultório odontológico e fazer o seu tratamento porque o tratamento odontológico no Brasil ainda é muito caro. Em termos percentuais, se 80% de Europeus, Americanos e latino-americanos têm, em termos globais, poderíamos dizer que o Brasil fica com 25% dessa fatia, sem falar naquelas pessoas que ainda não tiveram a perda óssea diagnosticada, como muitos que têm acidente vascular ou infarto por causa do problema. Brasil está assim neste momento mais para uma fazenda do que um país; infelizmente, ainda é uma fazendona.

P. E ainda há muita incúria por parte do poder público, que não faz nada em termos de educação e informação sobre a doença.
R. Um grande economista da Inglaterra, afirmou há alguns dias atrás que dos 100% de produção financeira que a empresa Brasil produz, 30% vai embora pelo ralo da corrupção. Isto quer dizer o seguinte, se nós conseguíssemos fechar esse ralo, pegar esses 30%, daria pra fazer um SUS mais humano, com hospitais públicos melhores e mais humanos, fazer uma odontologia mais humana etc. Por isso acho que o karma do politico brasileiro será de 200 anos vivendo no inferno, porque ele está matando indiretamente pessoas, e ele vai ter que responder por isso.

P. O candidato que vai fazer implantes e tiver problemas periodontal vai ter primeiro que resolver este problema, não é? não há outro caminho pois ele tem que ter a gengiva ao redor do dente em 100% , é uma pré-condição, não é?
R. É uma pré-condição, hoje eu atendi uma pessoa da classe A de São Paulo que fez todo o tratamento de reabilitação, colocou implantes completos. Ele está sendo tratada pelo Dr. David Uip, que é o maior infectologista de SP. o Dr. David Uip deu à ela dois antibióticos para combater o problema que apareceu na boca depois do tratamento. Ela viu alguns programas meus no youtube percebeu que vai ter de realizar tudo novamente, simplesmente porque não lhe foi feita a revascularização óssea como tratamento inicial da periodontia, para recuperar biologicamente o osso, e em seguida, fazer os implantes e próteses. Ha profissionais que ainda não entenderam que é preciso semear toda a área em que se vai trabalhar implantes e querem colocar o implante custe o que custar. Depois de 6 ou 7, o implante vai cair. Essa senhora teve rejeição. O implante é feito de um biomaterial, que é compatível, o titânio. Havia titânio tipo 1, 2,3 e o 4. O tipo 4 é puro, absolutamente. Quando se coloca este titânio 4 dentro do osso, o osso faz a reconhece este titânio como osso, e se funde com ele. Não existe possibilidade de rejeição. O que existe e se verifica muito por ai é a falta de preparação do terreno. Se o terreno foi bem preparado, o implante vai florir. De outro modo, o paciente vai perder o implante.

Moral da historia: não existe mais bobo neste mundo. A paciente que escuta do dentista, ” você teve rejeição” vai para o juiz. Tenho feito muitos pareceres a esse respeito, pois sou considerado hábil em peritagem deste tipo. O juiz me pega a mim como seu perito. A primeira coisa que um juiz me pergunta é se foi feita a periodontia no paciente antes de se colocar os implantes. As perdas para o paciente são enormes: perda financeira, moral baixa, vergonha.

P. Há muitos casos hoje assim?
R. Muitos. Depois de analisa-los, dou o meu aval de que não houve o tratamento de periodontia e juiz acaba dando ganho de causa para todos os pacientes que fizerem implante e não fizeram a periodontia.

P. O paciente que chega aqui no Instituto Contatore que tem problemas periodontal, sai de lá com o problema resolvido?
R. Sai com o problema resolvido. Nós temos, a nível de ciência e tecnologia e inovação, todos os elementos para resolver tais problemas. É evidente que ele é um paciente e precisa entender que ele vai ter que fazer uma manutenção anualmente. Ele faz um tratamento, recupera e resolve; em seguida faz uma manutenção. Na manutenção faz-se a prevenção para que o problema que ele tratou e foi resolvido não volte novamente. Portanto, assim como na medicina, também na odontologia a prevenção e a manutenção são fatores-chave.