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Pulpite: o que é, definições

O dente é um ser vivo que está em contato com o ser humano através do osso.

No ápice do dente, temos um artéria que leva O2 (oxigênio) aos tecidos conjuntivos, nervos e neurônios. E há uma veia que retira o sangue com CO2(dióxido de carbono).

 

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A Polpa é um complexo de vários órgãos, isto é, temos os neurônios, a parte neural, as artérias, veias, e o tecido conjuntivo.

A pulpite é uma inflamação que  se estabelece quando o organismo sente que a polpa é agredida. Ela aumenta o volume de sangue para dentro da polpa do dente, fazendo com que haja aí uma vasodilatação.

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E por quê o aumento de fluxo e aporte de sangue? Para mandar maior quantidade de anticorpos, de glóbulos brancos, pra combater aquele problema! Eis a razão da vasodilatação capilar. Acontece que quando ocorre a vasodilatação, a polpa comprime-se contra as paredes internas do dente e essa compressão gera a pulpite que é a dor.

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Quando a vasodilatação é reversível, e quando se administra um anti-inflamatorio, existindo alí uma vasoconstrição, a polpa volta ao normal. Isso seria uma pulpite transitória.

Quando a vasodilatação é muito grande, fazendo com haja uma degeneração integral da polpa, então trata-se de uma pulpite com necrose pulpar, que é a morte da polpa do dente.

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A polpa não é só o nervo do dente, como muita gente opina. Quando a polpa se degenera, ela se necrosa.

E por quê se necrosa? porque a vasodilatação acontece na artéria na entrada do ápice de dente. Nesse momento existe um estrangulamento que faz com que o sangue não passa mais para dentro. Então, a polpa sem alimento, sem oxigênio, vai se degenerar.

Nesse momento o paciente não tem mais a dor de pulpite. A compressão da polpa já não existe, ela já está destruída.

Mas existe uma reação apical, com os gases resultantes dessa necrose, dessa destruição da polpa, e o dente estando fechado, a única saída dele é para o ápice, e a consequência é um abscesso periapical.

O abcesso pode ser subperiostico quando ele fica abaixo da membrana que reveste o osso que se chama periósteo.

Nessa situação, muitos dentistas medicam o paciente de maneira errada ministrando antibióticos. Nessa primeira fase, não se pode administrar antibióticos, pois o antibiótico vai granular aquele foco. O interessante é deixar o abcesso evoluir, passando à membrana periostica, ao conjuntivo até o epitélio. Naquele momento ele está quase ao ponto de drenagem. No momento em que ele drena pela gengiva mole, nesse momento é que se deve ministrar antibiótico.

Portanto, num quadro como esse, é muito importante entrar com o antibiótico na hora certa.

Em muitos casos os dentistas dão o antibiótico quando o abcesso ainda está debaixo do periósteo, e o paciente para dissolver aquele foco fica seis ou sete meses, nem regredindo nem evoluindo, porque o antibiótico estabilizou o foco naquela área.

A pulpite crônica é aquela em que a virulência do foco que está ali na polpa é ligeiramente maior que a reação orgânica. Isto é, essas forcas se interagem de tal forma que o processo nunca vai ficar agudo, sempre vai ficar crônico. E se nesse momento, se entrar com anti-inflamatorio, pode ser reversível.

As veias e artérias vão ter uma microconstrição (microcontração). Ou seja, contraindo, elas não vão mais contrair a polpa. Aí a dor cessa, mas é um quadro que precisa ser bem investigado, pois é preciso saber se ela regrediu e voltou ao normal, ou se ela necrosou e perdeu a sensibilidade.

Ainda é necessário fazer testes térmicos com gelo. Se o paciente não sente dor alguma, é sinal de que a polpa necrosou. Se se bater no dente e o paciente ainda sentir dor, é sinal de que a polpa ainda está viva e houve uma regressão.

Portanto, é necessário testes térmicos para analisar a vitalidade da polpa.

Causas:

A causa principal da pulpite é a cárie. A cárie num primeiro estágio atinge apenas o esmalte, ficando o tecido da dentina preservado integralmente. Assim se remove a cárie e faz-se uma restauração alí naquele local.

A cárie não cuidada vai atingir a dentina, que contem canalículos dentinarios e é aí que começa o problema, pois margeando a polpa do dente ha células parecidas com as do espermatozoide, as chamadas odontoblastos.

Então quando a cárie começa a se aprofundar na dentina, a terminação nervosa nessas células já reconhecem que ha uma agressão ali no local. Então ela começa a produzir uma dentina reacional ou secundaria, para fugir àquela cárie e assim a polpa começa a encolher, ela encolhe e onde havia polpa ela produz mais tecido dentinário.

Ou seja, no momento em que o prolongamento dessas células odontoblastos se observa que a cárie chegou e está fazendo uma agressão física, então através de um sinal sensorial, a polpa contrai-se, e onde havia polpa, havia tecido.

Isto quer dizer que havia uma proteção natural da polpa. E a polpa por ser um elemento vivo tem como se proteger, o problema é que ela se contrai até certo ponto. No momento em que essas bactérias, as enzimas, da cárie atinge a polpa definitivamente vai haver uma vasodilatação e aí começa a compressão da polpa e consequente dor do dente.

Essa dor da pulpite geralmente é relatada pelo paciente como uma dor pulsátil. Dói muito e para. Isso porque houve uma vasodilatação dentro da polpa, assim sempre que o coração comprime vai mandar mais quantidade de sangue para o local, fazendo com que ela doa.

Portanto, a dor de uma pulpite é contínua.

Tratamento:

Quando ha perda da polpa faz-se o tratamento do canal. A polpa é extirpada, tratando do canal. Feito o tratamento, o dente continua na boca.

Há muito tempo atrás, se se medisse a raiz de um dente onde se estivesse fazendo tratamento de canal, por exemplo, num canino, com 30mm de comprimento, com o estipadeiro e a sonda do mesmo tamanho, o dentista, retirava a polpa e fazia o tratamento de canal.

Nesse caso o tratamento passa a ser um órgão morto dentro de um órgão vivo. Ou seja perdia-se as trocas metabólicas entre dente e corpo. Muitos profissionais não gostavam dessa técnica.

Há mais ou menos dez anos atrás numa pesquisa de universidade, começamos a trabalhar os canais de dentinhos de camundongos. Se o dentinho do camundongo tinha 15 mm, tratávamos apenas 14mm. Naquele 1mm que sobrou, colocávamos hidróxido de cálcio. Nas várias laminas que fizemos depois, comprovamos que a técnica que fazíamos o tratamento do dente mas mantínhamos a vitalidade do corpo pulpar. E assim mesmo tratamento do canal e mantínhamos o corpo pulpar com hidróxido de cálcio, o dente mantinha trocas metabólicas.

Apresentamos a pesquisa em congresso em São Paulo e as pessoas começaram a dar risadas do que falamos. Só que estavam equivocados. Mas mais de mil laminas provaram que a vitalidade do dente, mesmo com o canal tratado, tinha se mantido e era existente. Então se provou o quanto tinham sido insensatos à nossa descoberta cientifica.

Hoje a vitalidade do corpo pulpar com tratamento de canal mantendo as trompas metabólicas do dente com o suporte ósseo é uma das técnicas mais avançadas descobertas e que a descobriu foi um cientista brasileiro, o Dr. Mário Leonardo, da Faculdade de Odontologia de Araraquara.

Ele está hoje lecionando na Universidade de Chicago e convidou o Dr. José Vicente Contatore, chefe clinico do Instituto Contatore, para que fosse lecionar por lá, o que infelizmente não se pode concretizar dado os seus inúmeros compromissos no Brasil.

O comprometimento do ligamento periodontal:

Se a inflamação da polpa está a dar pelo ápice ela compromete o ligamento periodontal. A partir desse momento vai haver uma vasodilatação, espessamento da membrana periodontal, que é o termo correto. Nesse caso, o paciente não vai conseguir tocar o dente superior com esse dente. Se tocar, vai sentir dor. O que se gerou foi uma pericementite aguda. Ou seja, o paciente teve uma pulpite que não foi tratada, e essa pulpite promoveu uma vasodilatação da membrana periodontal e essa membrana expandiu-se tanto que o paciente tem a impressão de só morder dente quando fecha a boca, tendo a impressão de que o dente ficou mais ‘alto’.

Na Idade Média a pulpite a 100% era uma causa maior de suicídio, conforme os compêndios de psiquiatria da época.

Hoje em dia a salvação faz-se de maneira provisória com um copo de agua gelada por causa de poder fazer constrição.

Às vezes surge uma bolinha, que é efeito de uma reação periapical em cima de enzimas liberadas, já que o dente se encontra fechado, e as enzimas precisam ser liberadas. Quando essa reação periapical está próxima da gengiva, usamos um instrumento rombo que perfura o local, drena e o pus sai na hora.

Mas o interessante é abrir o canal, faz a extração, elimina todo aquele pus, o que vai diminuir a reação periapical no ápice.

Hoje a frequência de pacientes com pulpite que chegam à clínica é menor, pois o paciente tem cuidado melhor dos dentes que há dez anos atrás, além de que o controle odontológico numa cidade como São Paulo ficou melhor. Às vezes, podem se passar seis meses sem um só paciente de pulpite.

Mas há um grupo genético com maior predisposição à pulpite: pessoas que comem muito doces, que através de suas bactérias à formação de cáries.

Os seres humanos de uma maneira ou outra já tiveram uma cárie. E dentro desse grupo a atenção recai naqueles mais descuidados, que não fazem higienização correta, por exemplo, e nas pessoas que já tiveram cáries e deixaram passar muito tempo antes de tomarem uma providência, e deixaram atingir a dentina. Faltou o interesse em fazer um controle dos próprios dentes.

 

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A prevenção é ainda a melhor medicina odontológica. Ou seja, visitar o dentista a cada seis meses fazendo um checkup nos dentes vai evitar a possibilidade de desenvolver pulpite.